sexta-feira, 5 de junho de 2020

Flertando com as Tendências



Imagem: internet


Inovar não é tarefa fácil, especialmente na indústria moveleira. Especialmente em qualquer lugar. Essa que é a verdade. Inovar, romper barreiras e ousar acompanhar tendências, é algo que exige um esforço sobre-humano. É como tentar empurrar um ônibus apenas com a força do ombro. Então! Essa pode ser uma boa analogia quando falamos da relação entre a indústria e as tendências do aparato produtivo. 

Vamos imaginar que você seja a indústria, o fabricante. Imaginemos que o mercado seja o destino, que pode ser outra cidade, outro estado, ou até mesmo outro país, embora nesse caso, há outros fatores a serem considerados. Fiquemos apenas com você, o ônibus (pesado, e põe pesado nisso), a estrada, e o destino, seja qual for.

A tendência é que os pequenos (até mesmo os grandes) fabricantes, não deem a arrancada, a força de partida, que necessitam para colocar o monstrengo em movimento. Assim, poucos são os que ousam enfrentar este desafio. Eles existem, e colocam o ônibus em movimento.  Ele começa a andar,  e eles apenas observam. Aos poucos, ele começa a tomar velocidade,  e  à medida em que o terreno permita sua aceleração, é que olhares atentos ao seu desempenho começam a ligarem os motores de seus pequenos carros, e aos poucos, à medida do sucesso deste desempenho, é que também começam a andar no vácuo do primeiro veículo a sair.

Talvez seja uma associação pobre, creio que poderia ter pensado em um exemplo melhor, como o de um grupo de pescadores que sai para pescar, e escolhem lugares diferentes para atirar as linhas, mas percebem que um determinado pescador tem mais sorte, e aos poucos, vão se achegando às proximidades de onde ele se encontra, pois, embora não vejam, percebem que há uma forte tendência de que haja um cardume ali. O mercado trabalha igual. Assim, para saber de que lado é a melhor direção, é necessário conhecer algumas variáveis deste desafio.

Primeira variável: A economia

Quando a economia vai bem, todos compram, e quando todos compram, mudar pra que? Ninguém toma remédio quando nada dói mas é no momento em que começam sinais de enfraquecimento, baixam as vendas, a concorrência cresce, os preços desabam, e a empresa começa a competir por menor preço e não melhor produto (considerando que o concorrente também tenha produto de qualidade, então o menor custo para chegar àquele produto), que a luz amarela começa a piscar, e quando a luz vermelha acender e a sirene disparar, pode ser tarde demais. o momento de começar a pensar em inovação é quando as coisas começarem a desabar, pois também há um momento para inovar, assim como há um tempo adequado para permanecer onde está. Qualquer precipitação em inovar e tentar antecipar o mercado, pode cometer um erro fatal, e com isso, o desânimo do fracasso ocupará o espaço da tomada de decisão de ligar o carro para acompanhar o ônibus com relativa proximidade, sem cometer o erro de ficar no fim da fila. Aí, já não é mais tendência, pois virou moda, e moda vira modinha, e quando virou modinha, o ônibus já mudou de estrada e sua empresa ainda continua seguindo a fila sem saber pra onde vai. E a economia fez esse estrago todo, e enquanto você cuidava de descontar títulos para pagar seus colaboradores de produção, o mercado já se distanciou de sua capacidade de fornecimento. Esta variável é contínua, uma vez que a economia é volúvel e volátil. É necessário uma atenção contínua.

Segunda variável: Movimentos sociais

A Política e as perturbações de natureza humana, isto é, que se mobilizam de acordo com o temperamento das ideias, é menos frequente, mas também não é inerte, porém, quando acontece, o estrago é grande e é muito difícil de dar sequência à todo o planejamento estratégico que foi criado ao longo do crescimento de sua empresa, Nesse caso, é necessário um grande investimento, tanto econômico, quanto mental, criativo, e humano, para que haja uma nova adequação à nova situação, pois uma convulsão social desmobiliza tanto o ânimo e a linha de pensamento da sociedade quanto a própria economia, que é a primeira a ser percebida nestas condições. Um claro exemplo disso é o atual momento, onde, primeiro houve o impacto de uma novidade maléfica atingindo a sociedade, e a seguir, gerado pelo pânico, aliado à completa desinformação, a estagnação, a inércia, e o apagão econômicos, a que nos estamos dirigindo, ou sendo dirigidos, isso ainda está em controvérsia, e não quero tratar desse tema aqui. Assim, estamos no tempo de limparmos a mesa da papelada desnecessária e ultrapassada, e começar a pensar na nova geração, impulsionados pela força desta onda que nos abraça. É aqui que entra a inovação, as tendências, não as que nos mostram, mas as que percebemos, e se posso, e posso, vou arriscar um olhar um pouco além do medo, mas pela inovação que se mostra necessária.

Onde o impacto proporciona oportunidade

Como a fábula contada em palestras motivacionais, no país que ninguém usava sapatos, a lógica diz que não vale à pena investir naquilo que o mercado desconhece, mas, já que ninguém usa sapatos, a boa lógica diz que é o lugar ideal para vender sapatos.  Diferenças radicais, assim como para descobrir o que pode ser oferecido ao mercado no pós-pandemia, basta conhecer as necessidades de sua própria casa, seu comportamento, aliado ao comportamento da sociedade, e desta forma, projetar seus próprios desafios e soluções. Assim, a nova sociedade que emerge no pós COVID-19 é uma sociedade que não vai precisar de produtos e serviços, e sim de soluções. Então, se o que sua empresa tem a oferecer hoje são bons produtos, você testá tomando a estrada errada, e não vai encontrar com o ônibus das tendências, mas um caminho só seu, desconhecido, e que talvez chegue no vazio, onde o combustível acabou ao chegar e não há como voltar. A nova sociedade exige respostas ás necessidades, e é necessário descobrir-se quais serão. Como serão os costumes? O que é prioridade? E quais as possibilidades de vencer os desafios que ainda se desconhece?

Investir no conhecimento, antes do produto e tecnologia

De nada adianta que você tenha um avião, se não sabe pilotar, não tem licença para pilotar, não tem combustível, nem aeroporto para pousar. Assim, esta aeronave também não irá conquistar passageiros, pois as pessoas tem seus próprios destinos, e você fará apenas o transporte delas, para onde desejarem ir. Você não faz o destino delas, como também você não determina o que alguém irá comprar, independente do preço e da qualidade. As pessoas comprarão aquilo que necessitam, aquilo que seja resposta às suas necessidades, e aquilo que estiver ao seu alcance para que adquiram. Assim, se o que você tem para oferecer, são apenas produtos e serviços, vale à pena reexaminar as necessidades de seus clientes, pois elas podem ter mudado de posição na escala de valores, e suas ofertas nem estejam mais listadas no "check list" de urgência. Ouvir o seu mercado é um caminho por onde começar.

Paulo Cardoso (Pacard)
Ille Vert - Consultor






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